O Rótulo da Liberdade

Entender a liberdade como um dos pilares para o fomento e crescimento das empresas talvez seja uma das premissas econômicas mais importantes. Afinal, o empreendedorismo só é possível em ambientes livres e competitivos, nos quais os direitos individuais sejam tratados como inalienáveis.


Em uma sociedade composta por “rotuladores”, na qual o politicamente correto é definido por quem rotula, vemos um crescimento exacerbado de imposições sociais e empresariais. Uma espécie de segunda lei, a qual restringe o livre comportamento dos indivíduos. Dessa forma, observamos severas exigências a gestão empresarial, o que ofusca a visão das firmas em serem mais eficientes e promoverem o lucro.



Se, por um lado, os “rotuladores” conseguem fazer com que a sociedade sujeite restrições às empresas, por outro, eles conseguem fazer com que as empresas imponham restrições a sociedade. No Brasil, observamos movimentos de contratação com restrições raciais, a fim de garantir privilégios a minorias e a adoção de políticas ESG (environmental, social and corporate governance) em empresas de capital aberto, as quais tem como uma das diretrizes a diversificação de gênero, impondo a realocação, contratação e demissão de funcionários apenas com a finalidade de atender os requisitos impostos pela política.


Entender essas “inocentes” ações como vantajosas para as empresas por serem estratégicas para o negócio, por questões de marketing ou simplesmente por serem necessárias, parecem, a princípio, óbvio. Entretanto, esse entendimento também pode ser tido como ingênuo. Ao aceitarmos, de boa fé, as imposições das minorias que buscam privilégios, simplesmente por não nos importarmos ou por entendermos como “politicamente correto”, acabamos por aceitar restrições aos nossos próprios direitos.


A rotulação de negros ou brancos e mulheres ou homens, pelas empresas ou até mesmo pela sociedade, acaba por desvirtuar o indivíduo. Essas clusterizações não refletem em nenhuma medida a realidade, e talvez seja a forma mais evoluída de preconceito, na qual o seu grupo (se é que podemos afirmar que existem grupos) te define.


Tomar como verdade absoluta que a diversidade, definida a partir desses grupos, é um diferencial competitivo é no mínimo prematuro. Da mesma forma que existem estudos que mostram como isso pode ser vantajoso para as empresas, existem vários outros que não encontram essas evidências. Um exemplo é o artigo intitulado “Does Board Gender Diversity Have a Financial Impact? Evidence Using Stock Portfolio Performance” publicado em 2013 por Larelle Chapple e Jacquelyn E. Humphrey, o qual não identifica evidências de associação entre a diversidade do conselho de administração e o desempenho da firma, encontrando, inclusive, alguns resultados adversos quando se observam muitos membros do sexo feminino em determinados setores. Dessa forma, parece que o tema ainda precisa ser muito discutido e visto de diferentes óticas.


Em suma, a maior diversidade que devemos procurar é de indivíduos, com diferentes capacidades e pensamentos, independente do seu sexo ou cor, e que juntos consigam levar a empresa a alcançar o seu propósito maior: gerar lucro.


Édipo Vasconcellos, Associado II do Instituo Líderes do Amanhã