Ações afirmativas, ou melhor, as ações que eu afirmo


Sou a favor da liberdade e sou a favor de ações afirmativas. Explico-me.


Considero que determinados indivíduos possuem condições desfavoráveis frente a outros e que somente uma sociedade evoluída possa compensar, com ações que afirmam estes desequilíbrios, a correção destas diferenças.


Somente uma sociedade evoluída é capaz de desenvolver ações para equilibrar estas discrepâncias. Somente um grupo de pessoas que, por si só, queira reparar estas diferenças é possível se considerar um grupo humano civilizado e é nesta sociedade que pretendo viver.



Ações afirmativas, ou melhor: as ações que eu afirmo - Instituto Liberal


O potencial para geração de riqueza de um ser humano e todo o seu potencial de ação, de acordo com os seus desejos de evolução, está fundamentado na utilização de seu cérebro, sua mente.


Porém, embora o cérebro seja a origem de toda ação, ela somente será executada com a atuação do corpo e é neste ponto que eu quero chegar, a relação cérebro e corpo que corresponde à relação desejo e ação.


Sendo assim, afirmo, com todas as letras, que um paraplégico possui menos capacidade de andar que um não paraplégico. Afirmo que um cego possui menos capacidade de enxergar que um não cego. Afirmo que um surdo possui menos capacidade de ouvir do que um não surdo. Por conseguinte, estes indivíduos e demais portadores de deficiências físicas e/ou mentais possuem menos capacidade do que eu para tornar o seu desejo em ação. Eles possuem limitações, que eu afirmo.


Afirmo que quero viver numa sociedade onde as pessoas tomem iniciativas onde estas diferenças sejam amenizadas. Entretanto compreendo que uma sociedade onde não se possui capital acumulado suficiente para construir infraestrutura básica não terá condições de criar infraestrutura para mitigar estas diferenças.


Afirmo que o meu desejo não é altruísta ou filantrópico. Minhas afirmações correspondem somente à preocupação do meu próprio bem-estar, pois tenho a absoluta certeza de que não estou livre de em algum dia da minha história estar de frente com a adversidade de me tornar paraplégico, cego, surdo, etc. Portanto, levando em consideração os atuais necessitados, preocupo-me somente com uma possibilidade futura minha.


Afirmo que estas ações devem ser efetuadas por indivíduos que defendam esta causa e sei que somente com a existência de riqueza acumulada estes desejos se tornarão ações de fato.


Jamais concordarei com o argumento de que uma pessoa com a cor de pele diferente da minha tenha menos capacidade que eu para efetuar qualquer ação levando em consideração a cor de sua pele. Isto vale tanto para cor da pele quanto para gênero, origem, crença, etc.


E para finalizar, afirmo que não há governo no mundo que possa amenizar estas diferenças e que somente grupos de pessoas com desejo de ação e atitude para tal, poderá fazer algo para contribuir para a melhora da vida destes indivíduos.


Por Julio Santos


Fundador e apresentador do Tapa da Mão Invisível. Formado em Administração de Empresas pela PUCRS, com pós graduação em Economia Empresarial pela UFRGS. É executivo de finanças corporativas com 14 anos de experiência profissional, sendo 6 anos como Gestor Financeiro. Membro honorário do Instituto Atlantos e fundador do IFL Brasília.

twitter.com/juliomostardas


Versão editada do artigo publicado originalmente em setembro de 2014 pelo Clube Miss Rand e em dezembro de 2015 pelo Instituto Liberal e pela Coluna do Rodrigo Constantino na Gazeta do Povo.

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